sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

500 dias com ela e o equilíbrio

Recentemente reassisti 500 dias com ela, embora o narrador o descreva de uma forma bem simples, é uma história em que um garoto conhece uma garota, segundo ele, é um filme bem sensível e retrata bem como pessoas com personalidades diferentes lidam com um relacionamento e seu fim.

Já na introdução somos apresentados aos protagonistas, Tom e Summer.
Tom é um cara que desde garoto tem uma ideia muito idealizada do relacionamento, ele acredita que só será feliz de verdade quando encontrar a mulher da sua vida.
Já a Summer é totalmente desapegada e prefere só curtir o momento sem se preocupar com o futuro ou com rótulos que costumamos usar nas nossas relações, como ela mesma diz, ela não se sente a confortável sendo “algo de alguém”.

São dois conceitos bem contraditórios entre si. De um lado há uma pessoa que acreditaria que encontrou sua alma gêmea só por gostarem das mesmas coisas e conseguirem conversar por algumas horas sobre isso.
E do outro, alguém que poderia passar anos em um relacionamento e depois ir embora como se aquilo não tivesse significado muita coisa simplesmente porque acabou o interesse.


É nítido que existe um problema em ambas as formas de agir e pensar.
Idealizar demais e realmente achar que há uma pessoa feita exatamente para preencher aquele espacinho no seu coração além de ingênuo é um pensamento bem limitante, uma vez que pode impedir o indivíduo de encontrar alguém ligeiramente diferente dele, mas que pode adicionar e muito na sua vida.
Sem contar que se por ventura o relacionamento chega ao fim, isso pode fazer com que a pessoa não consiga ver uma realidade fora dele. 
Em dado momento do filme após a Summer terminar com o Tom, um dos seus amigos diz “há outros peixes no oceano, você vai superar ela” e o Tom responde “não quero superar, quero ela de volta”. Também vemos em algumas histórias de amor clássicas que são mostradas esse amor incondicional e profundo (ou para alguns o verdadeiro amor), como o jovem Werther, que tira a própria vida por não conseguir viver esse grande amor, para ele, nada mais seria tão perfeito e continuar vivendo era doloroso demais. Obvio que esse exemplo é um tanto extremo, mas mostra como fechar os olhos para o mundo e todas as possibilidades pode ser contraproducente.

Porém ir para o extremo oposto também não é uma boa ideia. Ser uma pessoa egoísta que só pensa na satisfação própria sem considerar o que o outro sente não é nada empático, o sentimento de união não existe e o outro é apenas outro, só mais alguém que está passando pela sua vida. Como na já citada cena do término, quando o Tom levanta da mesa e vai embora, depois de ouvir a Summer dizer que quer terminar e tentar argumentar que o "namoro" está indo bem logo não teria porquê fazer isso, ela diz pra ele não ir porque ele ainda é o seu melhor amigo. Ela estava bem resolvida quanto a isso, portanto não sofreu com a decisão (ao menos isso não é mostrado), então faltou um pouco de empatia da parte dela, por achar que ele reagiria da mesma forma que ela, como se ele tivesse um interruptor mental que mudasse de namorado para amigo assim do nada.
Outro exemplo da indiferença foi não ter contado para que iria casar, e ele acabou descobrindo da pior forma, simplesmente foi jogado na cara dele.

Tão real que chega a doer

No entanto não está sendo pregado aqui que relacionamentos devem durar para sempre, é natural querer mudar se as coisas não vão bem, todos tem o direito e o dever de pular fora de uma relação que é prejudicial. No mais é importante saber dosar a empatia e o desapego.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Sobre recomeços, ou nem tanto

Recomeços nunca são fáceis, sobretudo porque em boa parte das vezes, está ligado a algo negativo. Afinal se você precisa recomeçar é porque algo deu errado no meio do processo que fez com que você precisasse reiniciá-lo.
Tipo quando você perde de ano na escola e com isso vem o pensamento de tempo perdido, o desânimo de ter que começar tudo de novo, estudar as mesmas coisas, olhar a cara dos mesmos professores e por aí vai. Ou quando termina um relacionamento, e em alguns casos o pensamento de tempo perdido também vem a tona, embora eu discorde dele, afinal por mais que a pessoa tenha sido ruim você aprendeu algo e os momentos bons que passaram juntos não deixam de serem bons só porque acabou.
Tudo bem que há casos em que o recomeço vem por um bom motivo, mas como é a minha vida em pauta aqui, não é desses casos que vou falar.




Uma constante na minha vida é que eu nunca consigo ficar de boa por muito tempo. Sério. Sempre que eu estou tranquilo, vivendo sem problema nenhum, aparece uma merda, e ela tão inesperada e indesejada quanto aquela dor de barriga que bate quando você está na casa da namorada logo no dia em que foi apresentado aos pais dela, ou quando você é novo em uma empresa e trabalha em um escritório pequeno com apenas um banheiro para todos. Esse último exemplo eu gostaria muito que tivesse sido inventado.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Como se portar no busão

Andar de ônibus é um desafio, no entanto boa parte dessa dificuldade é causada por algumas pessoas que carecem de alguns princípios básicos que tornariam as viagens muito menos traumáticas, inclusive para a própria pessoa.
Então depois de muito observar resolvi listar alguns desses princípios básicos aqui. Infelizmente nenhuma das pessoas que compartilham um ônibus comigo lerá isso, na verdade acho que ninguém lerá isso, mas assim como um herói anônimo e solitário, a falta de reconhecimento nunca me impedirá de (tentar) ajudar a humanidade.


Antes de entrar no busão

- Antes de embarcar no busão a primeira coisa que você deve fazer é verificar se o veículo em questão tem o mesmo destino que o seu.
Quantas pessoas eu já vi que pegou ônibus errado, aí se deu conta no meio do caminho, pediu para o motorista parar em qualquer lugar, mas o motorista não podia parar fora do ponto, aí a pessoa ficava puta, o motorista ficava puto e daqui a pouco tava todo mundo puto. Então evite ficar e deixar outras pessoas putas, verifique a plaquinha do ônibus antes de entrar no mesmo.
Se você, assim como eu, sofre de miopia e não consegue enxergar nada a mais de um palmo de distância, não custa nada cutucar uma pessoa do lado e perguntar “hey, que ônibus é aquele?”

Entrando no busão

- O ato de entrar assim como esperar o ônibus é simples, mas muita gente faz questão de complicar. São poucos passos, você só precisa entrar, pagar a passagem, seja com dinheiro ou apenas passando o cartão na máquina e atravessar a roleta. That simple.
Mas não, tem gente que entra, abre a mochila ou bolsa pra pegar a carteira, pega o dinheiro (que já devia estar mão do infeliz desde que ele entrou no ônibus), entrega ao cobrador, pega o troco, organiza as notas destro da carteira de acordo com o valor, as menores na frente e maiores atrás, comenta alguma coisa com o cobrador (que tá pouco se fudendo só quer que ele passe logo), para na frente da roleta pra ver se tem algum lugar disponível, aí ele tentar passar mas a mochila agarra e impede a passagem, aí ele a joga pra frente e finalmente passa… Não seja esse cara.

Dentro do busão

- Você entrou, passou pela saga da roleta e foi um dos contemplados com um lugar pra sentar. Quando o ônibus começar a encher e tiver uma pessoinha parada em pé do seu lado carregando uma bolsa é hora de exercer sua cidadania e se oferecer para segurá-la. Ajudar o próximo, sabe? É bom pra variar um pouco.

- Assentos preferenciais eu procuro evitar, mesmo quando são os únicos disponíveis, porque comigo sempre que eu sento em um deles no ponto seguinte entra um idoso ou gestante ou alguém com a perna quebrada, ou os três juntos, então nem me iludo com eles.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Memórias de um GIF

Navegando por lugares obscuros da internet me deparo com um GIF, até aí nada demais a internet está cheia deles, mas esse foi especial porque me trouxe lembranças horríveis, de ódio e frustração. O GIF em questão é de uma cena do filme Dragon Ball evolution, o momento mais esperado do filme em que o Goku finalmente solta um Kamehameha. A primeira lembrança que me veio foi eu mandando isso pra todo mundo no MSN falando “olha isso que foda, pqp". Eu acredito que até hoje esse filme foi o que mais me deixou no hype, pelo simples motivo de que Dragon Ball é a minha série de anime/mangá favorita, então poder ver todo aquele universo fantástico que até então só havia visto no anime (nessa época eu ainda não tinha lido o mangá) seria incrível. Quando o filme começou a ser produzido eu passei a acompanhar cada notícia sobre ele, cada foto das filmagens, e quando saiu o trailer eu fiquei maluco de tão foda que parecia ser. Mas só parecia mesmo. 
Embora o meu hype fosse grande não fui assistir ao filme no cinema, por motivos de eu era um jovem estudante sem um puto na carteira (não que isso tenha mudado), então fiz o que qualquer cidadão de bem faria no meu lugar, esperei o filme lançar no cinema e uns dias depois comprei o piratão na banca, daqueles bem toscos mesmo, gravados na sala de cinema e que você escuta a risada e a tosse do povo ao fundo, mas teria que ser isso mesmo, a minha ansiedade de ver o filme não me permitiria esperar até a versão oficial em DVD sair, e pensando bem agora aquela gravação estava bem à altura do filme.

O dito cujo.

O filme começa com uma narração dizendo que há uma caralhada anos atrás Piccolo veio a terra junto com seu jagunço o Ōzaru e escrotizaram a porra toda, até que um grupo de magos se reúnem e conseguem fazer uma magia top chamada Mafuba e prendem o Piccolo em um baú, garrafa, panela de arroz, ou qualquer outro recipiente que tenha tampa, e após isso seu capanga, o Ōzaru, desapareceu misteriosamente.


Eu queria muito saber fazer um Mafuba pra me livrar de uns encostos aí.

Após isso somos apresentados ao protagonista do filme o Goku, um jovem estudante que vive com o avô. A cena começa com os dois lutando, não me recordo bem como foi a luta porque faz quase 10 anos que vi isso (caralho, tô ficando velho 😢), mas eu sei que a lutas termina com o Goku caindo de cabeça numa melancia após levar uma rajada de energia do avô, que mais parecia com a dobra de ar do Avatar. Enfim, acho que o objetivo da cena era ser engraçada…
Depois de levar um pau do avô, Goku fica boladinho e diz que treinar é palhaçada e que o avô deveria ensiná-lo algo útil tipo como arrumar uma namorada, já que o mesmo é um virjão e loser da escola.

Só esse comecinho já seria suficiente pra fazer qualquer fã da série querer arrancar os pelos do cu um por um com uma pinça de tanto desgosto. Quem conhece um pouco de Dragon Ball sabe que o Goku é um dos personagens mais burros da história dos animes e mangás e o motivo disso é que ele cresceu isolado no meio do mato e nunca pisou numa escola, mas no filme colocam ele como um estudante e meio que um nerd... Oi?!
E esse papo de que ele preferiria aprender algo útil como pegar as meninas tudo do que treinar?!! De novo, quem conhece a série sabe que única coisa que o Goku gosta mais do que treinar e lutar é comer. E eu falo de comida mesmo.

"Partiu sapecar as periquitas".

terça-feira, 17 de julho de 2018

Séries que começaram fodas mas perderam a mão

Séries de TV, essa nova forma de arte, que de nova não tem nada, mas que cuja popularidade vem crescendo a cada dia, fruto das produções de excelente qualidade que são lançadas nesse formato, além da praticidade que a internet trouxe com serviços como a Netflix, em que você pode assistir suas séries quando e onde quiser, e não corre o risco de perder um episódio porque não estava em casa quando ele foi exibido, e nem aquele problema que era de praxe na TV aberta em que, por exemplo, em um dia era exibido o episódio 5 e no dia seguinte o 18, porque sim e foda-se você que estava tentando acompanhar a série.

Mas deixando os traumas da TV aberta de lado, muitas séries, assim como um alcoólatra depois de tomar o primeiro copo, não sabem a hora de parar e ao invés de terminar deixando aquele gostinho de quero mais, preferem extrapolar todos os limites do bom senso e acabar com menos prestígio e popularidade do que eu na época da escola.

Então resolvi listar duas dessas séries que chegaram cheias de encanto conquistando nossos corações, mas tal qual o Pabllo Vittar foram longe demais e se perderam em um caminho de repetições, roteiros ruins e falta de bom senso.



Dexter

Dexter foi especial pra mim, já começa com a uma das melhores aberturas da história da TV, foi a que me fez ver as séries com outros olhos. Não lembro como fiquei sabendo da série, mas sei que comecei a assistir sem pretensão alguma, apenas tinha achado interessante a premissa do serial killer de serial killers, mas terminei a primeira temporada maluco me perguntando onde aquilo estava toda a minha vida. A segunda temporada mais incrível ainda, com toda a perseguição do Doakes que acabou desvendando o segredo do Dexter e ele sem poder matar o cara já que ele seguia um código de conduta que o permitia matar apenas assassinos, a maluca da Lila que era piromaníaca…

Mas infelizmente depois da quarta temporada a série desandou como um trem descarrilado, começaram a surgir personagens nada a ver e sem carisma nenhum, o Dexter revelando o maior segredo de sua vida, aquele que ele deveria levar para o túmulo pra pessoas que ele acabava de conhecer… E ainda teve a IRMÃ DELE SE APAIXONANDO POR ELE. WTF?! Por quê? Por quê?
A série, infelizmente, terminou com a popularidade na lama e com um dos piores finais já feitos, pra quem reclama do final de Lost, vai ver Dexter, meu amigo.




Prison Break

“A história gira em torno de Lincoln Burrows, um homem que foi sentenciado à morte por supostamente ter assassinado o irmão da vice-presidente dos EUA e seu irmão, Michael Scofield, um engenheiro civil, que cria um plano para resgatá-lo da prisão antes que seja executado.”

Foda né? Depois de ler essa sinopse lembro de ter ficado super animado pra ver essa série, primeiro porque gosto muito de obras em que o protagonista tem que trabalhar mais com a estratégia do que com os, já manjados, tiro, porrada e bomba, e segundo porque na época eu estudava engenharia civil (curso que, pelo bem da minha sanidade mental, larguei ainda no ciclo básico), então eu achava da hora ver como ele usava os conhecimentos de engenharia dentro desse contexto e também eu aprendia como poderia fazer caso algum dia precisasse resgatar alguém de uma prisão.

O fato de que a tatuagem não era apenas a planta da prisão, mas que também
continha vários elementos que ele precisaria pra usar na fuga, era foda pra caralho.

Diferente de Dexter eu tinha muita expectativa com ela. A primeira temporada foi sensacional, a tensão dos últimos episódios deixava qualquer um na ponta da cadeira, e que no final culminou na grande fuga da prisão. Pensei “bom, a premissa da série já foi, mas será interessante agora ver como eles vão viver essa vida de fugitivos”, e de fato foi, não teve momentos tão eletrizantes como na primeira, mas foi legal acompanhar a caçada.
Mas aí vieram as temporadas três e quatro, que colocou o protagonista dentro da prisão de novo (oba, mais um presidio pra escapar), e junto com isso uma viagem de ácido de uma conspiração de que na verdade existe uma organização que domina o mundo inteiro e está por trás de tudo, inclusive foi a responsável por armar pra cima do Lincoln, e ainda os pais dos protagonistas, que estavam mortos (na verdade só a mãe estava morta, o pai havia saído pra comprar cigarro) voltam do nada, e a mãe ainda como funcionária da tal organização, é o que acontece quando acaba a criatividade e só sobram as drogas. Recentemente foi lançada uma 5° temporada, que me recusei a ver, chega.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Áudios no zap

A comunicação é uma necessidade humana, desde a pré história a humanidade cria formas para se expressar, começando nas pinturas rupestres, até meios mais efetivos de envio de mensagens como sinais de fumaça, cartas, rádio, e mais recentemente a internet, que revolucionou a comunicação de uma maneira nunca antes vista.

A função da comunicação é simples, se comunicar, passar uma mensagem. Hoje em dia existem diversas formas de fazer isso, você pode ser mais clássico (ou um hipster maluco) e mandar uma carta, fazer uma ligação (ou bater um fio, como os jovens dizem hoje em dia), ou simplesmente aproveitar a incrível praticidade que a internet proporciona, e nela as opções também são diversas, porém o mais utilizado por aqui hoje é o Zap (WhatsApp para os não iniciados).
O zap trás consigo alguns funções interessantes que contribuíram para o seu sucesso, um delas é a função de mensagens de áudio, que como o nome já indica serve para você enviar uma mensagem em forma de áudio ao invés do clássico texto. O que é bem prático pra quando você precisa relatar ou descrever algo com um certo nível de detalhes assim não precisa escrever uma bíblia, e também é bem melhor pra quem vai receber, é mais tranquilo ouvir um áudio de 1 no máximo 2 minutos do que ler uma parede de texto.

Mas assim como quando surge algo muito legal, que todos utilizam numa boa até que aparecem alguns pra subverter essa coisa e acabar com a diversão dos demais. Citarei aqui dois extremos, um deles tenho que lidar quase que diariamente e já não tenho mais paciência.
O primeiro são pessoas que mandam áudio de 1 ou 2 segundos só pra dizer “oi”, “bom dia”, ou qualquer merda assim. Eu tenho uma amiga que é a epítome dessa porra, só pra dar um exemplo do que ela faz, recentemente ela me mandou quatro áudios, o primeiro ela dizia o meu nome, o segundo “oi” apenas, o terceiro “tudo bem?”, o quarto “com você?”. Sério?!!! Quatro fudendo áudios só pra isso?!!1!11! Por que não mandou um só falando tudo de uma vez? Ou melhor, por que não escreveu?

Oi, tudo bem com você?

Não é tão grande, 18 caracteres, 22 se contar os espaços, não é tanto, e poderia tirar esse “com você" do final, porque se ela mandou a mensagem para mim, é óbvio que ela está perguntando se está tudo bem comigo.

O outro extremo é o indivíduo que não consegue ser sucinto e manda áudios imensos, eu já testemunhei uma pessoa (não eu porque não me misturo com esse tipo de gente) receber três deles cada um com cerca de 10 minutos, era uma amigo narrando um causo que havia acontecido com ele, mas precisa fazer praticamente um podcast pra isso?! É forçar muito a amizade, espero que a história, ao menos, tenha sido boa.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Sou capaz de opinar

Falar sobre um assunto que eu não sei porra nenhuma a respeito é algo que faço com uma certa frequência. Não é que eu seja um completo ignorante, eu sou bem informado, pelo menos gosto de pensar que sim, mas volta e meia alguém chega querendo falar sobre Naruto, por exemplo.
Eu sou um grande fã da arte sequencial e animação japonesa, mas Naruto foi um anime que não me pegou. Talvez porque eu só tenha assistido um episódio ou outro na época que passava no SBT, então por conta disso eu não conheci a série de verdade, talvez eu até devesse dar uma segunda chance pra ver qual é. Mas dar uma segunda chance para Naruto não é uma prioridade na minha vida nesse momento. O caso é que eu estudo com algumas pessoas que são fãs da série e um dia eu conversando com um deles acabamos caindo nesse assunto, o colega de turma em questão começou a falar da que é a sua série de animação favorita e tinha um brilho nos olhos enquanto o fazia.

Era tipo isso.

Lembro de poucas coisas que ele falou, mas sem dúvida foi algo como: o quanto o Naruto era foda por ter derrotado o vilão tal, e de como o anime era incrível por conta de uma situação assim e assado que aconteceu, etc.
Uma vez outra, mesmo sem ter visto a série, eu fazia alguma adição à conversa (que nesse momento já era um monólogo), baseado apenas nos clichês dos animes/mangás, especialmente shounen, só pra citar alguns: o protagonista e/ou o vilão se transformam e com isso adquirem mais poderes, protagonistas nunca morrem e quando morrem voltam de alguma forma e torneios de luta.
Mas durante a maior parte do papo as únicas coisas que eu conseguia dizer era: “hum", “pô legal”, “caralho que foda”, “muito doido hein, mano”, “hum”... E assim foi até que chegou um outro que também era fã e deu continuidade ao papo e eu pude voltar para o meu canto de alegria e solidão.

Mas uma coisa é enrolar numa conversa, outra coisa é ter que produzir um texto dissertativo-argumentativo, de 30 linhas  sobre um assunto que você desconhece, além da pressão e do medo de ter que passar mais um ano estudando caso faça merda. Foi o que me aconteceu no Enem 2017, cujo tema da redação foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”, um tema totalmente inesperado para mim, pelo menos. Senti uma mistura de desespero e ódio, desespero por não ter a mínima ideia de como eu escreveria sobre isso e ódio do filho da puta que escolheu esse tema.

"Que porra de tema é esse?!"

Mas não tinha pra onde correr, então respirei fundo e fui. Já não lembro mais de nada do que escrevi, mas procurei caprichar na forma, já que o conteúdo não seria dos melhores, não consegui fugir muito do senso comum, mas usei e abusei dos conectivos, pra pelo menos deixar o texto bem coeso, como eu não tinha nada de informação tive que ser criativo pra usar alguma contida nos textos (des)motivadores para fazer a intertextualidade e dar alguma credibilidade pro meu texto, além do cuidado pra não fugir do tema.

Terminei o texto, li, reli e pensei: “isso tá uma merda”. Mas não tinha mais volta, a folha já estava todo preenchida, aquele texto seria o que definiria a minha nota.
Meses depois o resultado e a surpresa maior foi justamente a nota da redação que não foi não tão ruim quanto eu esperava, me faltaram 20 pontos para alcançar os 800, então foi uma nota ok. Depois disso eu acreditei que poderia falar ou escrever sobre (quase) qualquer assunto, de Rousseau a Boku no Pico pode vir que eu disserto, só preciso fazer colocações genéricas que encaixaria em qualquer situação, acenar com a cabeça e dizer coisas como: “hum", “pô legal”, “caralho que foda”, “muito doido hein, mano”, “hum”...